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“Pessoas ajudam pessoas”

16/06/2017

Sentadinha em um banco improvisado, Julia Tomasi, de oito anos, fala sobre suas lembranças. Recorda do clima da Tailândia e da amiga de Teresa, que conheceu Estados Unidos e que a presenteou com uma caixinha de música. Depois, engata na história do Pólo Norte, quando caminhou sobre a água congelada. Mas a melhor das lembranças ela deixa para o final. Corre até um banner, lê e volta rapidinho, para dizer o nome corretamente: Transiberiana, viagem de trem. “Passamos sete dias sem tomar banho”, entrega a menina, entre sorrisinhos.
Sobre essa viagem, inclusive, o irmão mais novo de Julia, o Miguel, de seis anos, também tem uma história. “Perdi um pedaço do meu robô no trem”, detalha o menino.
Apesar da pouca idade, Julia e Miguel compartilham destas histórias porque são filhos de Jocemar Tomasi e Adriana Tormena Tomasi. Juntos, eles formam a “Família pelo Mundo”, que expõe a aventura vivenciada entre 2012 e 2014 aqui na XXIV Fenajeep. Ao todo, foram mais de 145 mil quilômetros rodados, passando por quatro continentes e 65 países.
“Casamos em 1999 e na lua de mel já pegamos a mochila e fomos até Curitiba, para um passeio de trem. De lá, ainda fomos para São Paulo, na casa de um familiar. Começamos a fazer pequenas viagens de moto e de carro pequeno. Também fomos de avião para o Nordeste. Então compramos uma Doblô, adaptamos uma cama e a cozinha era ao ar livre. Já tinha a Julia e estava grávida de cinco meses do Miguel quando viajamos para o Peru, Deserto do Atacama e Bolívia”, afirma Adriana.
Ao retornar para Brusque o casal até pesquisou passagens aéreas para a Europa. “Então o Jocemar me perguntou o que eu achava de dar uma volta ao mundo. Topei. As crianças eram pequenas e não tinham pendências escolares. Era agosto de 2011. Compramos um carro e, em nove meses, o adaptamos para a aventura”, acrescenta Adriana.
O carro comprado era de 2008 e a proposta era deixá-lo o mais autossuficiente possível. “Tem autonomia de água para o banho de uma semana. A água do motor aquece o chuveiro e serve para lavar a louça. O carro também está equipado com engates diferentes, compatíveis em todos os países. O fogão é elétrico, tocado à bateria e conversor”, explica Jocemar.


Pelo mundo

Saindo do Brasil em 2012, a família seguiu até a pontinha do Alaska. Passou pela Europa, Marrocos. Voltou para a Europa, seguindo para Estônia, até o sul do Irã.
“Atravessamos para os Emirados Árabes, Arábia Saudita, Jordânia, Israel, Egito, Etiópia e Quênia. Mandamos o carro para a Argentina e, com a mochila, fomos para a Tailândia, Malásia, Cingapura. Compramos uma passagem para Vladivostok, na Coréia do Norte e, pelo Transiberiano, passamos por sete fusos horários diferentes, em sete dias de viagem. Dentro do trem a temperatura era boa, mas, lá fora, estava -38º C. Tentamos até se comunicar com os russos, mas foi difícil da gente se entender. Então foram mais trocas de gentileza do que de informação”, enfatiza.
Sem grandes investimentos e com um inglês razoável, a “Família pelo Mundo” é um exemplo de que sonhos podem se transformar em realidade. Você acha difícil viajar com os filhos? Então imagine os desafios de dar a volta ao mundo com duas crianças. Adriana e Jocemar, mais do que vivenciar tudo isso, recomendam a aventura.
“No Irã enfrentamos temperatura de 55º C e a gente não encontrava a Embaixada. Perguntamos para um comerciante, mas ele não falava inglês. Telefonou para um amigo e conseguimos conversar por telefone. A Embaixada já havia fechado e fomos convidados para passar a noite na casa dele. Ficamos lá, sem trocar nenhuma palavra, se comunicando por mímicas e desenhos. A lição mais especial desta aventura é de que pessoas ajudam pessoas”, comenta Ana.


Novo desafio

Agora a Família pelo Mundo tem um novo desafio: publicar o livro que conta esta história. O projeto está sendo viabilizado através de financiamento coletivo e todos podem contribuir acessando o endereço eletrônico www.catarse.me/familiapelomundo.
Mais informações pelo telefone (47)98463-3432 ou www.familiapelomundo.com.